Formação geológica rara, as “chaminés de fada”, é descoberta pela primeira vez no Brasil, em Goiás

Estruturas ficam no nordeste de Goiás e ainda não estão abertas à visitação. Descoberta foi feita por pesquisadores da UFG em área particular.


Por Rota Araguaia em 07/10/2025 às 10:30 hs

Formação geológica rara, as “chaminés de fada”, é descoberta pela primeira vez no Brasil, em Goiás
Divulgação/Lucas Ninno

Redação

Uma formação geológica rara conhecida como “chaminés de fada” foi identificada pela primeira vez no Brasil, no município de Campos Belos, localizado no nordeste de Goiás. O achado foi feito por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) em uma área particular, ainda não aberta à visitação pública.

As chamadas “chaminés de fada” são torres rochosas esculpidas pela ação do tempo, com uma base estreita e um topo mais largo, que lembra um chapéu. A formação é resultado de um processo natural chamado erosão diferencial, em que camadas de rochas com diferentes resistências são moldadas pela água e pelo vento ao longo de centenas de anos.

A geóloga Joana Paula Sánchez, coordenadora do Laboratório de Geologia e Áreas Turísticas da FCT-UFG, participou da primeira avaliação no local.

“Há uma camada de rocha mais dura no topo, como se fosse um chapéu. A parte de baixo é mais frágil e foi escavada por um rio que passava ali há muitos anos. Esse processo levou muitas centenas de anos para formar estruturas que chegam a mais de três metros de altura”, explicou.

Segundo a pesquisadora, há registros de formações semelhantes em menor escala no Tocantins, mas o conjunto encontrado em Goiás se destaca pela dimensão e estado de preservação.

“Essa área está inteira preservada, nunca teve agricultura, gado ou turismo, então as chaminés se conservaram. É uma área muito grande, com várias torres, por isso é considerada inédita no Brasil”, completou.

Potencial turístico e preservação

O turismólogo Luciano Guimarães, que atua há 20 anos na Secretaria de Turismo de Goiás, destacou o potencial turístico da descoberta, que se encontra entre dois importantes destinos do ecoturismo nacional — a Chapada dos Veadeiros e o Parque Estadual de Terra Ronca.

“O potencial é gigantesco, porque está entre dois atrativos de renome internacional. Mas hoje ainda não é um produto turístico, porque falta infraestrutura, acesso, guias e ordenamento. Precisa de políticas públicas para ser estruturado”, afirmou.

Luciano reforça, no entanto, que a abertura da área ao público deve ocorrer de forma planejada e controlada, para evitar impactos ambientais.

“São monumentos naturais muito frágeis. Sem controle, o impacto pode ser irreversível. É preciso planejar acesso, capacidade de carga, sinalização e qualificação de mão de obra antes de receber visitantes”, alertou.

Reconhecimento e proteção

A recomendação de especialistas é que o local seja reconhecido oficialmente como área de preservação, garantindo a proteção ambiental e, ao mesmo tempo, possibilitando um uso turístico sustentável no futuro.

A geóloga Joana Paula Sánchez informou que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) já realizou uma avaliação técnica no local e deverá abrir processo para transformar a área em unidade de conservação.

 

“Essa medida vai assegurar tanto a preservação quanto o ordenamento da visitação”, destacou a pesquisadora.



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