Redação
Uma formação geológica rara conhecida como “chaminés de fada” foi identificada pela primeira vez no Brasil, no município de Campos Belos, localizado no nordeste de Goiás. O achado foi feito por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) em uma área particular, ainda não aberta à visitação pública.
As chamadas “chaminés de fada” são torres rochosas esculpidas pela ação do tempo, com uma base estreita e um topo mais largo, que lembra um chapéu. A formação é resultado de um processo natural chamado erosão diferencial, em que camadas de rochas com diferentes resistências são moldadas pela água e pelo vento ao longo de centenas de anos.
A geóloga Joana Paula Sánchez, coordenadora do Laboratório de Geologia e Áreas Turísticas da FCT-UFG, participou da primeira avaliação no local.
“Há uma camada de rocha mais dura no topo, como se fosse um chapéu. A parte de baixo é mais frágil e foi escavada por um rio que passava ali há muitos anos. Esse processo levou muitas centenas de anos para formar estruturas que chegam a mais de três metros de altura”, explicou.
Segundo a pesquisadora, há registros de formações semelhantes em menor escala no Tocantins, mas o conjunto encontrado em Goiás se destaca pela dimensão e estado de preservação.
“Essa área está inteira preservada, nunca teve agricultura, gado ou turismo, então as chaminés se conservaram. É uma área muito grande, com várias torres, por isso é considerada inédita no Brasil”, completou.
O turismólogo Luciano Guimarães, que atua há 20 anos na Secretaria de Turismo de Goiás, destacou o potencial turístico da descoberta, que se encontra entre dois importantes destinos do ecoturismo nacional — a Chapada dos Veadeiros e o Parque Estadual de Terra Ronca.
“O potencial é gigantesco, porque está entre dois atrativos de renome internacional. Mas hoje ainda não é um produto turístico, porque falta infraestrutura, acesso, guias e ordenamento. Precisa de políticas públicas para ser estruturado”, afirmou.
Luciano reforça, no entanto, que a abertura da área ao público deve ocorrer de forma planejada e controlada, para evitar impactos ambientais.
“São monumentos naturais muito frágeis. Sem controle, o impacto pode ser irreversível. É preciso planejar acesso, capacidade de carga, sinalização e qualificação de mão de obra antes de receber visitantes”, alertou.
A recomendação de especialistas é que o local seja reconhecido oficialmente como área de preservação, garantindo a proteção ambiental e, ao mesmo tempo, possibilitando um uso turístico sustentável no futuro.
A geóloga Joana Paula Sánchez informou que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) já realizou uma avaliação técnica no local e deverá abrir processo para transformar a área em unidade de conservação.
“Essa medida vai assegurar tanto a preservação quanto o ordenamento da visitação”, destacou a pesquisadora.
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